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Empresas devem ajudar na educação financeira dos profissionais

Gestores e executivos estão “descendo do Olimpo” para entender a relação de seus profissionais com o dinheiro, gerar impacto real no bem-estar financeiro deles e de suas famílias e trabalhar para aumentar a produtividade das organizações. Líderes dos setores público e privado debateram sobre como as suas organizações têm feito não só para engajar as pessoas mas também para criar uma cultura financeira sustentável. “Trata-se de uma discussão que se refere tanto àquela dor que sentimos à noite, angustiados para encontrar uma solução para aquilo que está ocorrendo em nossa vida, como é algo do que se ocupa a questão de Estado, políticas públicas e da macroeconomia”, afirmou Délber Lage, CEO da SalaryFits, fintech de benefícios com desconto em folha.

Para a executiva Michele Martins, vice-presidente de Gente e Gestão da Neoway, empresa de Big Data Analytics e Inteligência Artificial para negócios, a questão financeira está cada vez mais próxima das empresas. Ela atribui a mudança de comportamento à percepção cada vez mais clara do impacto que as finanças têm no desempenho dos profissionais. A gestora reforçou que isso não é apenas uma questão das empresas de tecnologia, mas um assunto necessário para empresas com a cultura ágil. “A divisão entre o trabalho e o particular praticamente desapareceu com a pandemia, pois o trabalho acabou invadindo um pouco a vida privada. A partir daí, o cuidado foi colocado como uma prioridade direta dos nossos executivos, não só do RH, para priorizar a saúde mental e física e os benefícios. Aqui criamos uma frente capaz de olhar de uma maneira distinta esses trabalhos em tempos de distanciamento físico, e mais, de confinamento com o isolamento social. As organizações que não olham para isso estão perdendo a oportunidade de engajar seus colaboradores”, alertou.

É uma situação acompanhada de perto por Octávio Barbosa Nenevê, Coordenador de RH do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por se tratar de um ambiente público, o gestor afirma que existem diferenças, que vão desde o mindset dos próprios profissionais devido à estabilidade do trabalho até a legislação, mas que não inviabilizam iniciativas para valorização. Segundo ele, muitas pessoas ainda não se sentem à vontade para expor sua condição financeira e por isso a abordagem precisa ser sutil.

“Às vezes as dificuldades financeiras não querem dizer que as pessoas estão com problemas, afinal, elas podem ter dinheiro depois. A questão é como elas utilizam o crédito, como podem colaborar com as menores taxas de transações bancárias. Devido ao fato de o pagamento de salário ser previsto em lei, eles não trabalham com aumentos de maneira efetiva como no setor privado. Ainda mais a partir da definição do teto de gastos. Então trabalhamos na conscientização dos valores, pois em muitos casos as contas podem sair do controle devido à falta de cultura da educação financeira em todo o país”, afirmou. Pedro Valente, co-CEO da EXAME, reforçou o cumprimento básico da organização das finanças. Para o executivo, pouco adianta as pessoas quererem aderir a novidades como o investimento na Bolsa de Valores e seguirem com dívidas no cheque especial ou sem uma planilha de gastos básicos do orçamento familiar. O especialista falou sobre a importância de valorizar a comunicação e a educação financeira com uma troca constante entre a empresa e os colaboradores, permitindo a criação de um pacote de benefícios engajadores e com soluções claras.

“As pessoas devem ser estimuladas a demandar das empresas o que elas precisam. Aqui, na EXAME, os colaboradores estão pedindo cursos. Outro ponto a se destacar são os influenciadores de confiança. Afinal, as marcas fortes já têm critério de qualidade e ajudam a fortalecer essa compreensão. Nas escolas americanas, por exemplo, há uma aula de economia da casa, ou seja, aprende-se a cuidar do orçamento, logística da casa e dos filhos, a cozinhar etc. São iniciativas que permitem uma melhor compreensão sobre o mundo. Não adianta saber apenas fórmulas de matemática e não entender de orçamento ou de pagar impostos. São passos importantes e que devem ser levados aos filhos”, explicou Valente.

Délber Lage acrescentou que é preciso também levar em consideração que pessoas estabilizadas no trabalho não estão necessariamente bem financeiramente. “É muito comum que se avalie a oferta de crédito como algo ruim. No entanto a verdade é que existe um consumo ruim desses créditos e não é disso que estamos falando. Pode ser uma necessidade de que todas as pessoas têm, especialmente em meio à pandemia da Covid-19. Não podemos nos esquecer dos impactos na economia e no orçamento das pessoas e que um profissional bem orientado pode fazer uso desse crédito com responsabilidade”, acrescentou.

Fonte: Invest

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