Notícias

Censo de desafios

| Notícias

População está mais velha, pobres ainda são muitos e falta saneamento.

Dados do Censo 2010 divulgados sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que o país que tem muito mais a fazer do que a comemorar. Se a população deixou de crescer explosivamente, como em décadas passadas, e a economia se expandiu a ponto de se colocar entre as sete maiores do mundo, as estatísticas do novo censo revelam quadros de pobreza, desigualdades e atraso que desautorizam manifestações de ufanismo. Com 190,7 milhões de habitantes, o Brasil acumula os desequilíbrios atuais com os que estão tomando forma de bombas-relógio com datas facilmente previsíveis para explodir.

A pobreza radiografada pelo Censo 2010 é um dos pontos que chamam a atenção de qualquer estudioso da cena brasileira. Com um Produto Interno Bruto (PIB) que já ultrapassa os R$ 3 trilhões e renda per capita calculada em R$ 16 mil (US$ 10 mil), o Brasil sempre soube conviver com precária distribuição da riqueza e da renda. Mesmo assim é chocante a realidade captada pelo Censo de que perto de 60% dos lares brasileiros são mantidos com renda domiciliar per capita de apenas um salário mínimo. Sobe para 82,4% a proporção de domicílios com renda de até 2 salários mínimos, sendo mais grave a situação no Nordeste.

Em meio a esse quadro de carência, o Censo 2010 encontrou distorção ainda mais preocupante: há no país 132 mil domicílios chefiados por crianças de 10 a 14 anos, revelando que o trabalho infantil ainda pesa no sustento de milhares de famílias. Velhas vergonhas brasileiras continuam prevalecendo. Clássica medida do desenvolvimento social de um país, o acesso ao saneamento básico ainda está longe de nos permitir lugar entre os que desfrutam de qualidade de vida aceitável. O Censo constatou que houve avanço na oferta de rede de esgotos nos últimos 10 anos, mas esse serviço essencial à saúde só chega a 55,45% dos domicílios brasileiros. Ou seja, quase metade das famílias ainda não foi atendida e, nesse item, a desigualdade entre as regiões é enorme: enquanto 81% dos lares do Sudeste são servidos, esta proporção não chega a 14% no Norte.
Outro sinal peocupante de agravamento da questão social nos próximos anos, se governo e sociedade não decidirem invertê-lo logo, é o rápido envelhecimento dos brasileiros, fenômeno detectado em pesquisas anteriores e confirmado pelo Censo 2010. Mantido o atual índice de crescimento da população (1,17% em 10 anos), o país deverá ter 380 milhões de habitantes em 2070, ou seja, o dobro da atual, em 60 anos. Mais cedo, porém, o país terá de enfrentar uma nova situação: as pessoas com mais de 65 anos serão quase a metade da população, com evidentes pressões sobre o sistema de saúde.

Segundo o Censo, o Brasil já tem 14 milhões de pessoas com mais de 65 anos, enquanto as crianças até 4 anos não passam de 13,7 milhões. Preparar o país para essa realidade é apenas mais um desafio entre os muitos radiografados pelo IBGE e que estão à espera da participação da sociedade e da vontade política dos governantes que a democracia brasileira já escolheu e escolherá nos próximos anos.

Publicado em 02/05/2011
(Estado de Minas-30.04)

Aposentados e pensionistas podem optar pela tributação regressiva

Aposentados e pensionistas dos planos Multifuturo I e Multifuturo II agora têm a possibilidade de alterar o regime de tributação de seus benefícios para a tabela regressiva do Imposto de Renda (IR). Essa mudança foi autorizada pela Receita Federal, conforme a Solução de Consulta COSIT nº 68, publicada em...

+ LEIA MAIS