Renda extra faz aposentado continuar ativo

O descanso da aposentadoria, sonhado por muitos, tem sido trocado por trabalho por um em cada quatro aposentados paraibanos. De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 24,47% dos aposentados que moram na Paraíba continuam com alguma ocupação que garante uma renda extra no final do mês.

Os dados mais recentes são de 2009 e revelam que, na ocasião, dos 335 mil aposentados, 82 mil continuavam trabalhando, adiando o merecido descanso por tantos anos de trabalho. Apesar do percentual ainda ser alto, o IBGE já revela uma queda na quantidade de aposentados que continuam trabalhando. Em 2008 este grupo equivalia a 29,4% ao total de aposentados do estado e em 1999 este percentual era ainda maior, chegando a 36,6% do total de aposentados.

Para o taxista Moacir Lopes, que se aposentou há 13 anos como funcionário da Petrobrás e resolveu continuar trabalhando, se manter na ativa é uma questão de saúde. “Quando me aposentei, passei três meses em casa, mas ficar sem fazer nada é muito ruim e você acaba ficando doente”, comentou.
Diferente de muitos outros aposentados, Moacir comentou que trabalha não pela necessidade de aumentar a renda, já que segundo ele, a aposentadoria que recebe dá para cobrir as despesas do orçamento. “Claro que o dinheiro extra ajuda, mas para mim era mais uma questão de continuar ocupado mesmo”, revelou o aposentando que, com uma renda certa no final do mês pode ter a comodidade de montar seu horário de trabalho como taxista.
O caso de seu Moacir, que trabalha principalmente para se manter ocupado, segundo o economista Cláudio Rocha, pode ser considerado uma exceção. “Claro que existem pessoas que se mantém na ativa para continuar com alguma ocupação, mas a maior parte dos aposentados se mantém na ativa por necessidade financeira”, comentou.

“Isto acontece porque a maioria das pessoas não se prepara financeiramente para a aposentadoria e por causa disto precisa de alguma renda complementar para continuar com o padrão de vida que tinha quando trabalhava”, acrescentou.
O economista comentou ainda que vê um aspecto negativo na manutenção de aposentados no mercado de trabalho. “É um pouco ruim para o mercado porque à medida que passa o tempo vão surgindo novos profissionais e a manutenção dos aposentados no mercado pode dificultar a entrada destas pessoas mais jovens”, acredita.

Média salarial ainda é baixa na PB

A média salarial dos aposentados da Paraíba, segundo estatísticas do Ministério da Previdência Social, é de R$ 521,47. O valor é referente a dezembro do ano passado (mês em que foram divulgados os dados mais recentes sobre aposentadorias) e na época estava apenas R$ 11,47 mais alto que o salário mínimo vigente em 2010 (R$ 510,00).

O baixo valor pago em aposentadorias pode ser apontado como um dos principais motivos para que tantos aposentados decidam se manter no mercado de trabalho. O economista Cláudio Rocha acredita que o valor pago na maior parte das aposentadorias é insuficiente para uma pessoa se manter, sobretudo quando são levados em consideração os aumentos com gastos com saúde à medida que a idade aumenta.
“Quem depende exclusivamente da aposentadoria paga pela previdência para sobreviver var ter muitas complicações porque ela é insuficiente. Hoje em dia, manter o padrão de vida que a pessoa tinha quando trabalhava fica muito difícil e este é o principal motivo de muitos aposentados continuarem no mercado de trabalho”, comentou.

Conforme as estatísticas do Ministério da Previdência, quando a aposentadoria acontece por tempo de serviço, a média salarial é ainda menor: R$ 468,48. Enquanto isto, quando considerados apenas os aposentados por tempo de contribuição, a média é de R$ 925,45.
Aos mais jovens, a dica do economista Cláudio Rocha para poder ter uma aposentadoria mais tranquila, é começar a investir – o mais cedo possível – em previdência privada. “A solução é fazer uma previdência privada, que é conhecida como previdência complementar. Se você age de forma proativa agora, quando se aposentar vai ter um salário complementar para ajudar”, aconselhou.

“Nem penso ainda em parar”

Se aposentar e continuar no mesmo emprego onde já trabalhava por muitos anos é uma opção para muitas pessoas. Desta maneira, o trabalhador consegue incrementar a renda e continua no ambiente de trabalho onde já acostumado com a convivência.

Pensando justamente em complementar a renda e se manter ocupada, a assistente de Tecnologia da Informação da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (DataPrev), Iraí Vieira, que tem 56 anos e há 1 ano e meio se aposentou, continua no mercado de trabalho.
“Optei por continuar trabalhando para me manter ocupada e também para complementar a renda. Ficar em casa sem fazer nada é muito ruim e quando você está trabalhando tem vários benefícios como férias e auxílio alimentação, que quando você se aposenta acaba perdendo”, disse.

Iraí, que ainda não faz planos de parar de trabalhar, comentou que sempre gostou do que faz e do ambiente onde trabalha, o que a motiva também para continuar no mercado. “Sempre gostei desta área. Nem penso ainda em parar”, disse a assistente de Tecnologia da Informação, que vê na aposentadoria uma forma de ter garantido um salário no final do mês e não um momento para parar.

Publicado em 13/06/2011
(Natália Xavier – Jornal da Paraíba-12.06)

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