Utilizando as principais tendências demográficas do país para os próximos anos para fazer uma contundente defesa da reforma previdenciária, o especialista Fabio Giambiagi, economista e autor do livro “Demografia-a ameaça invisível”, fechou com chave de ouro os debates do 2º Encontro Nacional dos Atuários, evento promovido pela CNseg, com apoio da Escola Nacional de Seguros, no Rio de Janeiro.
Para uma atenta plateia classificada como a mais qualificada em seus 19 anos de experiência no setor- 350 pessoas prestigiaram o 2º ENA-, Giambiagi apresentou um cenário preocupante diante do excessivo volume de comprometimento de recursos com gastos previdenciários, acompanhado de mudanças demográficas- as pessoas estão vivendo mais enquanto que a taxa de natalidade declina.
“A base da pirâmide está encolhendo muito rapidamente e o topo crescendo muito, o que aponta que todo o crescimento do PIB terá que vir de aumento da produtividade diante do encolhimento da população economicamente ativa. A faixa de indivíduos entre 0 e 14 anos, que em 2010 representava 49,4% da população, cairá para 28,3% em 2050, enquanto a parcela de mais de 60 anos passará de 19,4% para 64,1%. A demografia ignora a Constituição. Se ela está descasada do pacto constitucional, é a Constituição que tem que se adequar à demografia”, disparou Giambiagi.
Ele aproveitou para fazer duras críticas aos aumentos do salário mínimo e sua vinculação ao piso previdenciário, que beneficia 25 milhões de pessoas. Apresentando um gráfico com dados comparativos com 14 países, mostrou que o Brasil é o único que tem um volume maior de gastos previdenciários do que a população de idosos. O país gasta 12% do PIB com 6% da população com mais de 65 anos, uma conta que para ele não fecha. Para Giambiagi, o que dá ares aberrantes ao caso brasileiro é que o país praticamente triplicou o peso do gasto com aposentados no PIB em pouco mais de 20 anos, quando o processo de envelhecimento demográfico do país mal começou. “É de agora em diante que a mudança demográfica se tornará mais acentuada. Ou se faz uma reforma planejada agora ou ela terá que ser feita de forma abrupta no futuro”, alertou.
Encerrando o painel de debates, que contou com a participação de Almir Ribeiro, presidente da comissão atuarial da CNSEG, Renato Campos, diretor executivo da Escola Nacional de Seguros e David Corea, representante do Instituto Brasileiro de Atuários, José Américo Peon de Sá, assessor da presidência da CNseg, parabenizou a plateia pela participação ativa e informou que já se comprometeu com a Escola Nacional de Seguros de realizar uma nova edição do ENA ainda melhor. Corea aproveitou para registrar que o evento serviu para sensibilizar os atuários para a necessidade da solvência nas empresas e culminou com a palestra final que serviu para conscientizar a todos da necessidade de se buscar a solvência da Previdência.
Publicado em 26/08/2011
(Viver Online)










