Educação financeira engatinha no Brasil

É cada vez maior a preocupação de governos e entidades reguladores no que se refere à educação financeira da população para que ela esteja apta a tomar decisões de forma consciente e fundamentada. Em países desenvolvidos, o tema finanças pessoais já se encontra em estágio avançado, constando, inclusive, na grade curricular das escolas. Por aqui e em países emergentes, no entanto, o assunto ainda engatinha, embora venha ganhando terreno nos últimos tempos.

Estudo realizado pelo pesquisador e professor do Laboratório de Finanças (Labfin) da Fundação Instituto de Administração (FIA) André Saito mostra que o processo de educação financeira está se desenvolvendo de forma mais intensa nos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul. Esses países representam 37% das regiões analisadas no levantamento. Já na América Latina e no Leste Europeu, que compreendem 63% das regiões avaliadas, o ritmo de ações no sentido de prover conhecimento financeiro para a população ainda é bastante lento.

Com base numa pesquisa bibliográfica e documental, o estudo tinha como objetivo mapear os fatores críticos para a implantação da educação financeira nas grades curriculares, além de analisar as estratégias que podem fomentar a capacitação financeira dos indivíduos nos âmbitos escolares. “Sob o ponto de vista acadêmico, há uma lacuna de estudos sobre educação financeira”, diz o pesquisador, lembrando que, por aqui, a área de finanças pessoais tem um enfoque mais voltado para recomendações. “No Brasil, quando o assunto é tratado, é mais com foco no aconselhamento, do tipo ‘como conseguir o primeiro milhão’, por exemplo.”

De acordo com Saito, os resultados sugerem a necessidade da inserção do assunto sem o foco nos interesses comerciais de agentes privados, além do desenvolvimento de profissionais que entendam o assunto, tanto na esfera pública quanto privada. É importante também que haja a introdução do tema educação em finanças pessoais no ensino básico.

Na visão do professor, ainda que algumas unidades de ensino no país isoladamente estejam colocando em suas grades curriculares a educação em finanças pessoais, há a necessidade de se promover a inclusão do tema nos currículos brasileiros como um todo. “Esta demanda é coerente com os interesses sociais predominantes e relevante para o desenvolvimento econômico do país.”

Ao analisar as iniciativas existentes nos Estados Unidos, o pesquisador pode perceber que a educação financeira é um assunto que consta no currículo escolar de 48 Estados, além do Distrito de Columbia. “Nos Estados Unidos, percebe-se uma grande diversidade de grupos envolvidos no processo de educação em finanças pessoais , de modo que a participação de órgãos governamentais, instituições financeiras e do terceiro setor ocorre, concomitantemente, com a ação do sistema de ensino formal”, escreve.

Segundo Saito, nos EUA, o sistema educacional é de responsabilidade estadual e local, diante da noção de descentralização característica do regime de federalismo. “No entanto, o Departamento de Educação exerce papel primordial no desenvolvimento dos conteúdos curriculares que promovam a melhoria da educação no país”

Já no Reino Unido, o tema é facultativo desde 2001. Na maior parte das vezes, no entanto, o assunto não é uma disciplina, mas está inserido em outras matérias estudadas pelos alunos durante a vida escolar. No Japão, segundo o pesquisador, verifica-se a participação das principais instituições financeiras privadas. O sistema de ensino insere a economia doméstica nas grades curriculares. “No caso japonês, a formação de poupança está muito ligada à história do país, à preocupação de reconstruir a nação depois da Segunda Guerra Mundial”, diz.

No que se refere ao Leste Europeu e à América Latina, os países se mostram muito atrasados no que se refere ao desenvolvimento de uma cultura de poupança, apesar das iniciativas incipientes. “Países que sofreram mais com instabilidades políticas e econômicas em seu processo histórico tiveram um resultado na pesquisa aquém do dos desenvolvidos”, diz Saito.

Apesar do baixo desempenho do Brasil quando o assunto é educação financeira, o país tem posição de destaque na América Latina. Vale lembrar que o Brasil tem trabalhado no sentido de desenvolver a educação financeira nas escolas. Há, por exemplo, um projeto de lei (número 3401/2004) que propõe que a disciplina educação financeira seja inserida no currículo escolar da quinta à oitava séries do ensino fundamental e do ensino médio. O projeto, proposto pelo deputado Lobbe Neto (PSDB-SP), já foi aprovado pelo Congresso e foi encaminhado para discussão no Senado.

Mesmo o Ministério da Educação (MEC) já revelou que espera integrar as ações voltadas às finanças pessoais em um grande programa nacional de educação financeira nas escolas, que será lançado neste início de 2010 por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Banco Central também está preocupado com o assunto e quer treinar militares da Aeronáutica para levar orientação financeira para os lugares mais remotos do país. “Ainda que as iniciativas estejam em estágio bastante incipiente, é importante ressaltar que a preocupação com o assunto vem crescendo nos últimos anos”, diz Saito.

Publicado em 28/01/2010
(Luciana Monteiro – Valor Online)

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