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O perigo das pequenas dívidas

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As campanhas de marketing de vendas têm como objetivo aumentar o consumo de um determinado produto ou serviço. São promoções, vitrines e facilidades de pagamento que estimulam as compras, que muitas vezes são realizadas através de prestações. Os especialistas recomendam precaução, mesmo quando as parcelas são consideradas de valor baixo, pois adquirindo diversos compromissos o consumidor pode entrar em uma bola de neve financeira.

Perigo
Segundo o especialista em educação financeira Álvaro Modernell, o perigo das pequenas dívidas é real, pois elas não são significativas individualmente, mas podem comprometer boa parte do orçamento do indivíduo quando somadas. “De gota em gota o copo enche. É esse o raciocínio que o consumidor tem que ter ao assumir várias dívidas que ele entende como pequenas”, afirma Modernell.

O professor de finanças do Ibmec de Minas Gerais, Marcos Camargos, afirma que o grande perigo das pequenas dívidas é que elas podem representar ou até ultrapassar o orçamento da família sem que o indivíduo tenha noção de que esse quadro irá se concretizar. “O descontrole da quantidade de parcelas e seus valores unido aos juros embutidos nesse tipo de contrato pode gerar inadimplência”, comenta Camargos.

Controle
Para Modernell, é fundamental que o cidadão mantenha o controle de seus gastos. Ele sugere o uso, por exemplo, de apenas um cartão de crédito. “Foi-se o tempo em que era interessante ter vários cartões devido à inflação alta. Esse ranço cultural prejudica o controle e deve ser eliminado”, alerta.
Camargos segue o mesmo raciocínio de Modernell. “O controle é fundamental. O indivíduo tem que ter clareza sobre suas despesas fixas e saber que não pode as comprometer jamais. O que sobrar tem margem de manobra, mas ainda assim precisa ser controlado. O ideal é ter tudo anotado. A visualização dos gastos ajuda muito. Não aconselho uma pessoa a ter mais de dois cartões de forma nenhuma. Fica complicado gerenciar. Hoje, já não se tem mais a justificativa das bandeiras. Os estabelecimentos trabalham com todas”, afirma Camargos.

Cuidados
Um dos cuidados para evitar adquirir dívidas pequenas é com a aquisição de cartões de lojas. “Para as redes é interesse oferecer cartão de crédito próprio da loja, pois além de fidelizar o cliente, faz com que ele deixe de pesquisar preço, porque fica iludido com as facilidades que são passadas”, explica Modernell.

Já Camargos chama atenção para o fato de esses cartões, na maioria das vezes, terem que ser pagos necessariamente dentro das lojas. “Essa situação leva o cliente para dentro do estabelecimento e mais dívidas são assumidas, podendo virar uma bola de neve, pois fica parcela sobre parcela”, esclarece o professor.
Modernell indica que os clientes devem guardar todos os comprovantes como carnês, boletos e comprovantes de cartão de crédito e uma vez por semana analisar como estão evoluindo essas pequenas dívidas. “Essa avaliação servirá como um alerta amarelo. O sinal vermelho não pode acender. O controle é fundamental para não fazer das pequenas dívidas com roupa e lazer um problema financeiro”, diz o especialista.

Moeda da plástico
Para Camargos o cartão de crédito é a moeda mais perigosa quando o assunto trata-se de pequenas dívidas. “As pessoas quase não andam mais com dinheiro vivo e, quando usam, percebem claramente o valor que ele tem. O cheque, em geral, é mais controlado pelo correntista por conta do saldo bancário. Já o uso do cartão é facilitado tanto para débito como para crédito e, querendo ou não, incentiva o consumo”, afirma.

O professor recomenda que o consumidor que tenha acesso à internet verifique sempre que possível a fatura do cartão ao longo do mês através dos serviços on-line oferecidos pelos bancos. Outra ferramenta tecnológica que ele considera interessante é o uso de SMS. “É bom para o cliente solicitar à instituição o envio de torpedos quando uma compra é efetuada. É uma maneira de o consumidor ser alertado e se controlar”, indica Camargos.

Publicado em 03/11/2011
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