Em tempos de preços em alta, dica valiosa é economizar

Em tempos de preços em alta, conjugar o verbo economizar é fundamental. Mas, fugir das compras é impossível, pois muitos produtos, principalmente para alimentação, são essenciais. Dessa forma, o consumidor deve seguir sempre um ritual que inclui pesquisa de preços, comparação de produtos, organização da lista de compras e até a iniciativa de se evitar custos com deslocamentos de um ponto de compra para outro, apenas para aproveitar promoções.

E é pensando em economizar que a psicóloga Maria Cláudia Colombi Corrêa Marques, 55 anos, não abre mão de colocar em prática essas medidas. “Sempre consulto os preços. Faço minha lista para saber exatamente o que preciso e para evitar a compra de coisas desnecessárias”, explica.

Maria Cláudia destaca, ainda, que pesquisar é essencial. “Pesquiso marcas, preços e promoções. Do supermercado ou da feira, procuro levar o que realmente vou consumir. Isso ajuda na economia e também a evitar desperdícios”, lembra.

Pesquisa  

A iniciativa adotada pela psicóloga santista é defendida pela supervisora da equipe de pesquisas do Procon-São Paulo, Cristina Rafael Martinussi. Segundo ela, as iniciativas têm de ser mantidas sempre, independentemente de crises ou momentos de inflação em alta.

“Atualmente, a tendência de alta de preços dos alimentos tem afetado o País como um todo. Não é algo regionalizado. Isso se deve a alguns fatores, como problemas de abastecimento de água, alta do dólar, direcionamento de alguns produtos à exportação, o que afeta o mercado interno, entre outros. Agora, independentemente desses fatores, economizar é essencial”, ensina.

Evitar a compra em excesso também é a recomendação do consultor e professor de economia da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Hélio Hallite. “O consumidor tem que ser pontual nas compras de mercado e só adquirir produtos que garantam a sua subsistência. Este é o momento de evitar a compra de supérfluos”, explica.

Fazer a lista de compras e comparar promoções também são fatores essenciais. E, apesar do costume do brasileiro de realizar compras grandes nos supermercados uma vez por mês, o que deve ser colocado em prática é um novo hábito de consumo: “Essa modalidade de compra, neste momento, não é adequada. Você hoje não consegue mais fazer economia ao adquirir todos os produtos de uma só vez. O ideal é comprar aquilo que você verdadeiramente precisa e é muito mais vantajoso que este consumo ocorra semanalmente”, explica Hallite.

A busca por verduras e legumes também deve ter atenção redobrada em épocas de safra. “Uma boa alternativa é substituir determinados alimentos por itens mais em conta. As feiras e hortifrutis, em geral, costumam oferecer produtos de maior qualidade, com preços mais vantajosos. A compra nestes casos deve ocorrer em períodos que precedam o pagamento”.

Frear despesas é essencial  

Com a retração econômica, não são apenas as compras em excesso que devem ser evitadas. Cortes com despesas não essenciais, como até mesmo pacotes de TV a cabo e telefonia móvel, também devem estar na mira dos consumidores brasileiros.

De acordo com o economista Hélio Hallite, as famílias precisam dialogar para manter apenas despesas que sejam realmente essenciais, como contas com alimentação, luz e moradia. “É necessário priorizar itens de subsistência. Se você tiver TV a cabo, verifique se realmente vale a pena manter o pacote contratado. Será que você realmente assiste a todos estes canais?”.

Uma outra dica valiosa é congelar as despesas com cartões de crédito. “Este é o momento de procurar as operadoras pagar débitos com valores congelados. Esta é a mesma regra para despesas com cheque especial, já que os juros ao ano variam de 240 a 260%”.

Dicas para levar na cesta ou no carrinho 

– Leia as instruções dos produtos de limpeza e a quantidade recomendada para cada tipo de ação, para evitar desperdício pela utilização incorreta;

– Perto da sua casa tem mais de um supermercado? Pesquise os melhores preços em cada um deles e vá a pé;

– Lembre-se que frutas e verduras – compradas na feira ou sacolão – devem ser adquiridas semanalmente, pois estragam muito rápido;

– Produtos com marca própria do supermercado (os sem marca) geralmente são mais baratos;

– Quando for fazer compras não leve crianças, pois elas podem induzi-lo a compras de produtos supérfluos;

– É bom evitar fazer compras quando estiver com fome, pois isso pode levá-lo a comprar mais do que o necessário;

– Não insista naqueles produtos que sempre acabam sobrando na geladeira. Eles podem estar sendo comprados apenas por costume;

– Marque quanto tempo duram os alimentos, quais acabam rápido e quais sobram;

– Anote o que você consome e a frequência que sente necessidade de fazer compras;

– Recolha folhetos de supermercados para fazer comparação de preços;

– Divida as compras em grupos: uso pessoal, produtos de limpeza, alimentos (de geladeira e mantimentos).

Despesas na ponta do lápis 

Para evitar as surpresas desagradáveis de contas bancárias zeradas muito antes do término do mês, Hélio Hallite também recomenda que o consumidor adote um comportamento simples, que é colocar na ponta do lápis todas as despesas, principalmente com cartões de débito.

”O que prejudica o orçamento do brasileiro são exatamente essas despesas extra necessidade. A lição numero 1, agora, é colocar no papel tudo o que você recebe e aquilo que é gasto, para fazer um comparativo. Não temos essa cultura para finanças, mas agora precisamos correr atrás do prejuízo, sentir na carne”, salienta o economista.

Fonte: A Tribuna

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