{"id":1286,"date":"2010-07-23T19:06:49","date_gmt":"2010-07-23T19:06:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fusesc.com.br\/?p=1286\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000\u0000"},"modified":"2014-11-10T19:07:20","modified_gmt":"2014-11-10T19:07:20","slug":"a-dinamica-do-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fusesc.com.br\/?p=1286","title":{"rendered":"A din\u00e2mica do mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"<p>A taxa de desemprego vem declinando substancialmente no Brasil. No entanto, o desemprego ainda difere muito entre os grupos demogr\u00e1ficos e as regi\u00f5es do pa\u00eds. Da mesma forma que existe desigualdade de renda, existe desigualdade de desemprego. Para desenharmos pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas para os grupos mais afetados pelo desemprego, \u00e9 importante entendermos a din\u00e2mica do mercado de trabalho. Em particular, \u00e9 necess\u00e1rio entender como a evolu\u00e7\u00e3o da taxa de desemprego ao longo do ciclo econ\u00f4mico \u00e9 afetada pela din\u00e2mica das taxas de contrata\u00e7\u00f5es e demiss\u00f5es e como isso varia entre os diferentes grupos demogr\u00e1ficos. <\/p>\n<p>O primeiro aspecto a ser ressaltado \u00e9 que o comportamento da taxa de desemprego no Brasil \u00e9 muito mais influenciado pela din\u00e2mica de novas contrata\u00e7\u00f5es do que pelas demiss\u00f5es. A figura abaixo, baseada em um artigo recente*, mostra a rela\u00e7\u00e3o entre a taxa de desemprego e a taxa de admiss\u00f5es nas regi\u00f5es metropolitanas brasileiras nos \u00faltimos sete anos. Depois de um aumento pronunciado entre 2002 e 2003, a taxa de desemprego vem caindo significativamente, passando de 13% em 2003 para 8% em 2009. Por outro lado, a taxa de contrata\u00e7\u00f5es teve um comportamento oposto, declinando de 22% para 16% entre 2002 e 2003 e aumentando muito a partir de ent\u00e3o, at\u00e9 atingir 26% no per\u00edodo recente. A taxa de separa\u00e7\u00f5es, por outro lado, variou muito pouco no ciclo recente, permanecendo ao redor de 2% a 3% em todo o per\u00edodo. <\/p>\n<p>Isso significa que, no caso brasileiro, as demiss\u00f5es s\u00e3o pouco importantes para explicar o comportamento do desemprego ao longo do ciclo econ\u00f4mico. Isto ocorre em pa\u00edses com mercado de trabalho bastante regulamentado, como na Fran\u00e7a, por exemplo. Em per\u00edodos de recess\u00e3o as empresas param de contratar e em per\u00edodos de crescimento acelerado, elas contratam muito mais. Vale lembrar que a taxa de admiss\u00f5es est\u00e1 intimamente relacionada com a dura\u00e7\u00e3o do desemprego. Quando as contrata\u00e7\u00f5es escasseiam, obviamente, os desempregados demoram mais para encontrar um novo emprego. E o tempo de desemprego tem efeitos graves sobre o bem-estar das pessoas. <\/p>\n<p>Mas, a din\u00e2mica do mercado de trabalho varia muito de acordo com o grupo demogr\u00e1fico e a regi\u00e3o do pa\u00eds. A taxa de desemprego m\u00e9dia entre os mais jovens (10 a 24 anos) nos \u00faltimos anos foi de 22%, quase tr\u00eas vezes maior do que entre os adultos (25 a 44) e cinco vezes maior do que entre os mais velhos (acima de 44). Entretanto, surpreendentemente, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as nas taxas de contrata\u00e7\u00e3o dos diversos grupos et\u00e1rios. A explica\u00e7\u00e3o para as altas taxas de desemprego entre os mais jovens est\u00e1 na sua taxa de desligamento, mais de tr\u00eas vezes superior \u00e0 dos adultos. Assim, o problema do desemprego entre os mais jovens n\u00e3o \u00e9 a dificuldade de encontrar emprego, mas sim de mant\u00ea-lo. \u00c9 por isso que pol\u00edticas para ajudar o jovem a encontrar o primeiro emprego tendem a ter impacto reduzido. <\/p>\n<p>Em termos educacionais, a taxa de desemprego \u00e9 maior para o grupo com ensino fundamental ou m\u00e9dio completo. Isso ocorre porque sua taxa de admiss\u00e3o \u00e9 menor do que a dos menos educados, enquanto sua taxa de desligamento \u00e9 maior do que a dos mais educado (aqueles com n\u00edvel superior). Os menos educados ficam pouco tempo desempregados, pois encontram um novo emprego facilmente, mas duram pouco no emprego (caso dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil, por exemplo). J\u00e1 os trabalhadores mais educados, por terem um sal\u00e1rio de reserva maior, ficam mais tempo procurando o emprego certo, mas quando o encontram dificilmente se separam. <\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s regi\u00f5es metropolitanas, a maior taxa de desemprego hoje em dia est\u00e1 em Salvador, quase duas vezes maior do que a de Porto Alegre, que tem a menor taxa entre as regi\u00f5es metropolitanas. Por outro lado, a dura\u00e7\u00e3o do desemprego \u00e9 mais elevada no Rio de Janeiro, porque a taxa de novas contrata\u00e7\u00f5es \u00e9 muito baixa. Mas o carioca, quando arruma emprego, dificilmente o perde. J\u00e1 em Belo Horizonte ocorre o contr\u00e1rio: altas taxas de contrata\u00e7\u00e3o e demiss\u00e3o, ou seja, rotatividade muito elevada. Em suma, para lidar com o desemprego de longo prazo, as pol\u00edticas p\u00fablicas tem que levar em conta que cada grupo demogr\u00e1fico e regi\u00e3o do pa\u00eds enfrenta um problema diferente. <\/p>\n<p>Publicado em 23\/07\/2010<br \/>\n(Naercio Menezes Filho &#8211; Valor Online)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A taxa de desemprego vem declinando substancialmente no Brasil. No entanto, o desemprego ainda difere muito entre os grupos demogr\u00e1ficos e as regi\u00f5es do pa\u00eds. Da mesma forma que existe desigualdade de renda, existe desigualdade de desemprego. 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