Minoria, aposentado ‘Cocoon’ vive com folga

Grupo gasta mais da metade da renda com lazer, bem-estar e saúde.

Só 2 em cada 100 estão nessa situação, que exige planejamento financeiro durante o período de trabalho.

Waldir Peixoto de Oliveira, 69, e sua mulher, Maria Eliane de Oliveira, 65, não abrem mão da atividade física na academia. E os exercícios são apenas parte da agenda do casal de aposentados do Rio.
“Participamos de uma turma que se reúne em uma casa de festas ao menos duas vezes por mês. Viajo e frequento restaurantes com minha mulher. Paramos de trabalhar, mas a vida é agitada.”

O casal carioca pertence a um felizardo grupo que especialistas em consumo batizaram de geração “Cocoon”.

O nome é uma referência ao filme com esse título (EUA, Ron Howard, 1985), que mostra as aventuras de idosos que se sentem rejuvenescidos pela energia de casulos alienígenas depositados na piscina de um asilo.

Aposentados “Cocoon” são financeiramente independentes e usam mais da metade da renda para despesas pessoais, como lazer (viagem, restaurante), bem-estar (academia) e saúde (plano médico, remédio). Os gastos são encarados como investimentos em qualidade de vida.

De acordo com consultores ouvidos pela Folha, só 2 em cada 100 aposentados estão nessa situação e não precisam sustentar filhos e netos ou trabalhar para se manter.

No caso de Oliveira e a mulher -ele, ex-supervisor de vendas, e ela, ex-professora, ambos aposentados pelo INSS-, as despesas pessoais são o destino de 65% da renda conjunta de R$ 6.500. E ainda há folga para colocar 20% na poupança.

ORGANIZAÇÃO

Os “Cocoons” organizaram as finanças durante o período de trabalho e chegaram à aposentadoria com bens quitados (como imóveis), reserva em dinheiro e filhos se mantendo por conta própria.
“Quanto antes tem início o planejamento na idade do trabalho, melhor”, afirma Erasmo Vieira, consultor da Planilhar Planejamento Financeiro.

A primeira orientação dos especialistas é começar, ainda jovem, a formar uma poupança de longo prazo independentemente dos bens. Pode ser de uma carteira de investimentos própria a um plano de previdência privada.

Pais e avós poupam mais para filhos e netos

Investimento de longo prazo pode ser para faculdade ou apartamento.

Em geral, são pessoas que planejaram tarde a própria aposentadoria e querem uma situação diferente para crianças
Consultores e corretores de investimentos ouvidos pela Folha ressaltam que tem crescido, no mercado de previdência privada, a demanda de pais e avós por carteiras para filhos e netos.
“Geralmente, são pessoas que começaram a pensar tarde na aposentadoria para si e desejam que filhos e netos tenham situação diferente”, diz Carolina de Molla, diretora de seguros de pessoas e previdência da SulAmérica.
“A atenção com a educação financeira dessas crianças será maior e elas tendem a se tornar, quando crescerem, melhores poupadores que os adultos de hoje.”

Ainda de acordo com os especialistas, essa reserva de longo prazo, que começa na juventude, não é “dinheiro carimbado”. Ou seja, o destino dos recursos pode mudar conforme a situação financeira do poupador.
“Às vezes, a ideia inicial era guardar para pagar a faculdade, mas foi possível estudar sem mexer nesse dinheiro. Então, o plano passa a ser a compra de um imóvel”, diz André Camargo, superintendente de gestão estratégica da Brasilprev.
“O importante é se conscientizar de que é um recurso de longo prazo, que não vai ser utilizado para despesas do dia a dia.”

NA PONTA DO LÁPIS

Com ou sem reserva financeira acumulada na juventude, quem está perto de se aposentar deve colocar na ponta do lápis, poucos meses antes de parar de trabalhar, todas as despesas e receitas.

É que, com o fim do salário, a renda tende a diminuir, mas as despesas são as mesmas, ou até aumentam. “É comum que o aposentado, em um primeiro momento, gaste mais com viagens e presentes. E as despesas com saúde tendem a aumentar”, diz Fabio Gallo, professor de finanças da FGV-EAESP.

Além disso, recomenda-se não assumir grandes dívidas depois de aposentado.

Empresas têm que aprender a lidar com a ‘nova velha geração’

Além do aumento da renda per capita e do crescimento da classe média, o Brasil tem passado por outra transformação importante: o envelhecimento.
Com menor taxa de natalidade e o aumento da esperança de vida, projeções indicam que o país será, em menos de duas décadas, um dos mais envelhecidos do mundo.

Os idosos de hoje estão mais ativos e independentes do que nunca. Boa parte deles mora sozinha e se aposenta mais tarde, ou não se aposenta. É um novo grupo consumidor que pode ser mais explorado pelas empresas.

Os idosos gastam mais tempo procurando o que querem e são mais desconfiados de novas marcas e produtos. Os mais velhos também pechincham mais, gastam menos em supermercados e compram menos produtos prontos para o consumo.

E estímulos gerados pela mesma ferramenta de comunicação são percebidos de forma distinta por adultos jovens e idosos. Os mais velhos precisam de mais tempo para processar informações.

Eles também passam a adquirir mais informações na mídia do que em seus círculos sociais, que tendem a diminuir ao longo do tempo.

A nova velha geração não só é importante como é diferente. Cabe agora às empresas aprender a atender e se comunicar com esse grupo.

Publicado em 31/10/2011
(CAROLINA MATOS e TATIANA FARINA – Folha de S.Paulo)

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