O casamento contribui para o sucesso (ou fracasso) das suas finanças

Falar sobre dinheiro e casamento deveria ser algo comum e simples como qualquer outro assunto, mas a realidade é outra. O que normalmente se vê são expectativas não alcançadas e consequentes frustrações com o(a) parceiro(a) (ou filhos).

Há profunda relação entre a confiança mútua, respeito às individualidades (não confunda com individualismo) e o resultado financeiro do lar. E também não pode faltar outro ingrediente óbvio e importante na relação: um diálogo aberto e sincero.

Um casal problemático

Há alguns dias, tive uma conversa bastante séria com um amigo. Falando sobre dinheiro, ele contou que costumava esconder parte do seu salário numa conta corrente aberta no nome do irmão dele, em quem confiava muito.

Ele fazia isso porque havia se cansado de pedir para a esposa ser mais controlada com as finanças. Os dois trabalhavam, mas ele disse que na casa deles “o dinheiro dela era dela e o dinheiro dele era dos dois”.

O que me preocupou é que ele disse que escondia o dinheiro para investir e criar patrimônio aos poucos, porque no caso de um possível divórcio (ele já estava cansado de tanto pedir a colaboração da esposa), este dinheiro estaria longe do alcance dela.

Casos assim são mais comuns do que imaginamos, seja com o marido ou a esposa agindo de forma estranha e individualista. Você já deve estar concluindo que é pouco provável haver sucesso financeiro num ambiente assim, e penso ser difícil progredir em outras esferas da vida também, pois a relação de confiança é uma só.

Características do casal e suas chances de sucesso

Um casal em que apenas um dos cônjuges lidera as finanças da casa, enquanto o outro não tem interesse no assunto e também não colabora com o controle do orçamento (inclusive gastando mais que o possível), está em situação grave, podendo jamais alcançar sucesso na vida.

Como medida severa, o líder financeiro do lar pode terminar por limitar o uso do dinheiro pelo cônjuge, iniciando um desgaste na confiança e abalando a tão importante cumplicidade. Com o tempo isso pode até destruir o casamento.

Um casal em que apenas um dos cônjuges toma a frente da administração financeira do lar corre alguns riscos, mas tem chances de sucesso. Para isso será necessário que o líder das finanças pegue nas mãos do parceiro e mostre qual o seu papel na administração financeira da casa (apontar tarefas específicas), além de contar com a sua colaboração para registrar os gastos no orçamento. Não pode haver rebeldia e falta de colaboração por parte do(a) parceiro(a).

Um casal que é alinhado em suas ideias, que define em conjunto as metas da família, possui interesse pela educação financeira e tenha o bom senso e responsabilidade no uso do dinheiro com certeza está na rota do sucesso.

Pessoas equilibradas, inteligentes e que respeitam o ponto de vista do outro são pessoas mais prontas para enriquecer, pois sabem agir e trabalhar como uma verdadeira equipe! Um sempre busca ajudar o outro, independente de quem ganha mais ou menos. Não há disputas. Já compreenderam que juntos vão mais longe.

O dinheiro e a felicidade da família

Quando observamos diversas pesquisas disponíveis na internet, que apontam os principais motivos de divórcio em nosso país, a falta de dinheiro em casa não ocupa os primeiros lugares. Para os casais, o principal motivo é de ordem muito genérica, onde mencionam “desgaste da vida à dois e falta de respeito mútuo”.

O problema é que não conseguimos medir o quanto uma vida financeira desequilibrada gera indiretamente tais desgastes e discussões, que terminam por gerar essa falta de respeito. O que podemos afirmar é que o dinheiro e sua administração ocupam uma posição relevante na felicidade da família.

O ponto aqui não é vincular felicidade com materialismo (ou consumismo), mas aprender a olhar para o dinheiro como um instrumento capaz de melhorar a qualidade de vida da família. Isso ocorre, por exemplo, através da compra de serviços e produtos que facilitam o dia a dia, uma boa educação para todos, momentos de lazer e viagens em família e por aí vai.

Independente de quanto seja a renda familiar, é importante haver controle do orçamento de modo a gastar menos do que se ganha, e que seja priorizado aquilo que é importante segundo os valores e princípios de cada um. Aqui reforço a importância de um diálogo aberto sobre o assunto. Sem isso é praticamente impossível manter a harmonia e felicidade.

Responsabilidade de todos

Para finalizar, ouso deixar 5 dicas para aumentar a cumplicidade do casal na gestão financeira da família:

  1. Faça uma reflexão de vida sobre o passado, presente e futuro, traçando metas, estabelecendo prazos, respeitando a individualidade e o senso de parceria;
  2. Considere ter uma conta corrente conjunta com seu cônjuge (independente se ambos trabalham ou ganham mais que o outro). Isso gera liberdade, igualdade e responsabilidade;
  3. Ao final de cada dia, deem uma olhada, juntos, nessa conta e analisem os gastos do dia (muito fácil fazer isso pelos aplicativos no seu smartphone). Esse exercício os manterá unidos para alcançar os objetivos da família;
  4. Toda vez que for necessário realizar um gasto de maior valor (troca de um eletrodoméstico, automóvel, imóvel etc.), conversem sobre os impactos no orçamento mensal, sempre atentos às prioridades. Afinal, não vale trocar o carro e depois ter que tirar o filho da escola particular porque as despesas aumentaram;
  5. Comemorem juntos as vitórias, dentro da realidade do momento. Desde uma caminhada de mãos dadas, tomando um sorvete, até uma inesquecível viagem de férias, desfrutem os momentos alegres em família e não deixem de lembrar que tudo isso só foi possível graças à união e participação de todos no orçamento familiar.

Fonte: Dinheirama

 

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