Tesouro Direto desvaloriza até 14% em 30 dias; veja por quê

As NTN-B Principal com vencimento em maio de 2035 recuaram 13,93%

SÃO PAULO – Os títulos públicos atrelados à inflação (NTN-B) e os prefixados (LTN) negociados pelo programa Tesouro Direto registraram forte queda nos últimos 30 dias (até 7 de junho). As NTN-B Principal com vencimento em maio de 2035 recuaram 13,93%, enquanto as NTN-B com vencimento em agosto de 2050 recuaram 11,06% no mesmo período. O prejuízo com as NTN-B já atingiu, nos últimos dias, R$ 40 bilhões, segundo a coluna Radar on line, assinada por Lauro Jardim, da Veja.

Já a LTN (título prefixado) com vencimento em janeiro de 2017 recuou 3,58% e a que vence em janeiro de 2016 cedeu 2,18%. O que muitas pessoas se perguntam é: como um título de renda fixa tem variação negativa e o investidor pode perder até mesmo parte do principal aplicado?

Em primeiro lugar, é importante lembrar que todos estes títulos possuem um prazo de vencimento que, se respeitado, garante ao investidor a rentabilidade acordada no momento da compra. Uma NTN-B, por exemplo, paga o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mais um prêmio de juros, definido no momento da compra. Se ficar com o título até o final, o investidor tem esta rentabilidade garantida – e não precisa se preocupar com esta queda no valor de face dos títulos.

A LTN (título prefixado) com vencimento em janeiro de 2017 recuou 3,58% e a que vence em janeiro de 2016 cedeu 2,18% (Getty Images) A LTN (título prefixado) com vencimento em janeiro de 2017 recuou 3,58% e a que vence em janeiro de 2016 cedeu 2,18% (Getty Images)

No entanto, durante o prazo de vigência do título, o seu PU (Preço Unitário) oscila, de acordo com a procura do mercado. A queda (ou aumento) da Selic (taxa básica de juros) é um dos principais fatores que impactam na volatilidade de um título público. As perspectivas sobre a inflação também têm um peso importante nos títulos ligados a índices de preços. Além disso, quanto mais longo for o título, maior será a sua oscilação no mercado durante a vigência – o que explica a forte queda dos papéis com vencimento em 2035 e 2050, por exemplo.

Quando a Selic sobe, a tendência é que os títulos prefixados e os títulos atrelados à inflação percam valor de mercado. Foi o que aconteceu no mês passado, quando o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu elevar a Selic em 0,5 ponto percentual, para 8% ao ano. Já quando há uma queda na taxa básica de juros, é de se esperar que estes títulos se valorizem – movimento verificado durante todo o ano de 2012, quando os títulos de inflação registraram forte alta.

Opção ruim?

Com tanta volatilidade, os títulos de inflação são opção ruim? Pelo contrário, estes títulos são uma maneira do investidor se proteger do avanço dos preços e ainda garantir ganho real no longo prazo. No entanto, é preciso se programar e adequar o objetivo de utilização dos recursos com a data de validade do título – dessa forma, o investidor não corre o risco de vender antes com prejuízo.

“A NTN-B é um título muito seguro, já que protege o investidor da inflação, mesmo se os preços subirem muito. No entanto pode sofrer pressões no PU (Preço Unitário) em momentos como o que estamos vivendo agora”, afirma o diretor da Valore Investimentos Personalizados, Sérgio Quintella.

Para os investidores que não gostam de volatilidade ou que possuem objetivos de curto prazo, a melhor opção são as LFTs, títulos indexados à taxa básica de juros. Com o viés de alta da Selic, estes papéis registraram alta nos últimos 30 dias. “O investidor de curto prazo deve destinar suas compras a estes títulos”, aconselha Quintella.

Publicado em 13/06/2013
Infomoney

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