Pivô de greves e grandes protestos, projeto que muda a previdência deve ser novamente aprovado hoje e amanhã pelo Legislativo.
Ponta de lança dos protestos contra a reforma da previdência na França, as greves nas refinarias e os bloqueios a depósitos de combustíveis recrudesceram no país, às vésperas da aprovação final da proposta. Enquanto alguns setores ainda não desistiram das manifestações, o governo faz as contas: oito dias de greves teriam provocado um prejuízo de 1,6 bilhão a 3,2 bilhões de euros (R$ 3,7 bilhões a R$ 7,5 bilhões).
Cada dia de paralisações teria custado ao país “de 200 milhões a 400 milhões de euros”, entre perda da atividade econômica e importação de combustíveis, segundo o Ministério da Economia. A titular da pasta, Christine Lagarde, lançou um novo “apelo à responsabilidade”, manifestando o desejo de que as atividades sejam retomadas o mais rápido possível:
– Nós saímos da crise em condições razoavelmente boas e não devemos prejudicar essa retomada com movimentos danosos à economia.
Ontem, deputados e senadores redigiram um texto comum para o projeto de reforma da previdência, que deverá ser aprovado hoje pelo Senado e amanhã pela Assembleia Nacional (Câmara dos Deputados). Em seguida, será sancionado pelo presidente Nicolas Sarkozy. A oposição, no entanto, ainda pode recorrer no Conselho Constitucional. Apesar da aprovação da comissão mista, ontem, sindicatos prometem ir às últimas consequências, com um novo dia nacional de protestos na próxima quinta-feira e outro no dia 6 de novembro, além de manifestações estudantis. Um dos pontos mais contestados é o aumento da idade mínima para se aposentar, de 60 para 62 anos, e de 65 para 67 anos para a aposentadoria com benefícios integrais (caso o segurado não tenha contribuído por pelo menos 41,5 anos).
Em um setor-chave da economia, oito das 12 refinarias de petróleo da França seguiam com a produção paralisada ontem em razão de greves. Em outras três, segundo o diretor sindical Charles Fourlard, os funcionários estão trabalhando, mas a produção continua interrompida por causa da escassez de petróleo. Conforme ele, os trabalhadores decidiram voltar às suas funções em duas refinarias operadas pela ExxonMobil e em uma operada pela Petroplus Holdings. Apesar disso, duas dessas unidades e uma outra refinaria, da LyondelBasell Industries, estão ociosas em razão da greve em terminais portuários, que prejudicavam o fornecimento de petróleo.
Um porta-voz da União Francesa das Indústrias Petrolíferas anunciou que nenhum depósito de combustível permanecia bloqueado ontem. Na semana passada, o governo ordenou o uso da força para desbloquear dezenas de depósitos. Além disso, a importação permitiu uma recuperação nas redes de postos de combustíveis. O ministro da Energia, Jean-Louis Borloo, estimou que 80% de cerca de 12,3 mil postos no país voltariam a funcionar normalmente hoje.
Publicado em 26/10/2010
(Zero Hora)





