Apenas 58% dos brasileiros se preparam para aposentar, enquanto no resto do mundo essa preocupação já alcança 88% da população. É o que revela a pesquisa “O Futuro da Aposentadoria – O poder do planejamento”, realizada pelo Banco HSBC. Mais sério ainda é que 25% dos brasileiros nem sabem qual será sua fonte de renda quando não puderem mais trabalhar, justo no momento em que a população com 65 anos ou mais do país deve saltar de 6,9% em 2010 para 22,5% em 2050, segundo dados da ONU.
O futuro sem perspectiva tem raiz na falta de planejamento. A pesquisa mostra que apesar de 51% da população ter o costume de fazer plano financeiro, apenas 43% procuram aconselhamento de um consultor. Desses, menos da metade (cerca de 20%) têm disciplina para executar o plano traçado pelo profissional. Os motivos, segundo o CEO do HSBC Seguros Brasil, Fernando Moreira, vai da falta de informação, passa pela pouca noção do quanto têm de dinheiro disponível até à incapacidade de transformar sonhos em metas e priorizá-los. “O importante não é pensar na idade em que vai se aposentar e, sim, na renda desejada quando parar”, pontua o executivo.
A técnica em radiologia Maria da Conceição Fernandes, 57, conseguiu se aposentar um dia antes da vigência das mudanças na Previdência Social, em 1997. Aos 43 anos de idade e 25 de contribuição – na época válidos para a aposentadoria especial -, ela foi descansar com pensão mensal de 4,5 salários mínimos. Hoje, Maria da Conceição ganha R$ 810 ao mês, menos de 1,5 salário mínimo. Ela admite que não pensou muito no futuro, além de ter concordado com o ex-patrão a assinar um contrato com valor inferior ao salário real. “Recebia a diferença por fora e os descontos eram menores”, relembra. O dinheiro extra não foi direcionado a uma poupança e fez falta no cálculo da aposentadoria. Com essa renda, Maria da Conceição mal consegue manter as despesas cotidianas, incluindo R$ 120 mensais com medicamentos, e não tem plano de saúde. “Gostaria de voltar a trabalhar, mas na minha área não dão emprego a pessoas mais velhas”, lamenta.
O estudo revela que os brasileiros desejam, mas não elevam os sonhos à condição de meta. Quando perguntada sobre o que seria uma aposentadoria feliz, a maioria falou em liberdade (29%), satisfação (26%) e sabedoria (26%), porém, essa felicidade tem um custo na vida ativa, lembra Fernando Moreira. O preço é entendido pelos trabalhadores do país, já que 88% acham importante ter dinheiro suficiente na velhice, só que apenas 19% se sentem preparados para isso e 60% estão adiando o início de um plano financeiro focado nesse objetivo porque acham não ter dinheiro, hoje, para mantê-lo.
RELATO
Previdência privada foi a salvação.
O aposentado Luis Sérgio do Carmo, 53, pendurou as chuteiras aos 40 anos de idade, antes da reforma da Previdência Social. No contra-cheque do INSS, o vencimento mensal gira em torno de R$ 2.100. Pagando R$ 530 ao mês só em plano de saúde, Carmo diz que não poderia sobreviver com essa renda somente, mas, ele já se preocupava com a questão e aderiu a uma previdência privada. Por essa, ela recebe mais R$ 10 mil ao mês.
Durante 25 anos, ele contribuiu com o equivalente a 8% do seu salário mensal para garantir o conforto atual. “Sempre achei que valia a pena e foi numa época em que as pessoas temiam planos de previdência privada. Para evitar surpresas desagradáveis, acompanhava de perto os balanços do meu plano”, relembra.
Publicado em 03/06/2011
(Nalu Saad ¿ O Tempo)





