Brasileiros superam nível saudável de endividamento

Motivados por boas perspectivas no trabalho, consumidores comprometem com financiamentos até o dinheiro das despesas essenciais

Luis Henrique vinha pensando em trocar de carro e, numa manhã de sábado, saiu de uma feira de uma montadora de veículos com negócio fechado. Com uma entrada de 15% do valor do veículo – e antes mesmo de entregar seu comprovante de renda -, assinou os papéis. Assim como ele, outros 1,012 milhão de consumidores, otimistas com suas carreiras, financiaram carros de janeiro a abril deste ano, 17% acima do total do mesmo período de 2009. Todo os meses, durante três anos, Luis Henrique destinará em torno de 25% de seu salário às prestações do carro novo. Na opinião de especialistas, um patamar saudável seria de até um quinto dos ganhos.

“O limite é de 20% da renda da família”, diz o consultor financeiro Mauro Calil, do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil.

No entanto, uma pesquisa recente do instituto Fractal mostra que os brasileiros com salário de até R$ 1,400 mil estão com 30% de seu ganho líquido comprometido com financiamentos até o Natal de 2010. “Assim, essa pessoas farão os empréstimos competirem com as despesas essenciais”, afirma Celso Grisi, presidente do instituto e professor da Universidade de São Paulo (USP), que concorda com o nível máximo de 20%.

De um modo geral, as pessoas das classes C e D gastam 32% em alimentação, 25% com todas as despesas de habitação, 11% com transporte, 10% com saúde e em torno de 5% com vestuário e calçados, segundo o professor Grisi. “Isso já dá 80%”, diz. Na opinião dele, antes de financiar o carro, a casa, ou mesmo o eletrodoméstico, os consumidores devem montar suas estruturas de gastos. “Acredito que 60% da população não faça planejamento financeiro”, acrescenta.

Fábio Moraes, gerente de educação financeira da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), concorda que falta controle do orçamento em muitas famílias brasileiras. “As pessoas ficam seduzidas porque acham que o valor cabe no bolso, mas precisam saber exatamente quanto entra e quanto sai”, afirma. Uma pesquisa realizada pela Febraban mostra que os brasileiros não se sentem endividados quando possuem dívidas, mas somente se não conseguem pagá-las. Além disso, eles não se consideram responsáveis por sua própria inadimplência, mas apontam os fatores externos e as fatalidades como as causas do descontrole financeiro.

Para Calil, é preciso que os consumidores tenham consciência de que quando adquirem um carro, mesmo à vista, assumem dividas. “Entre as contas, estarão IPVA, combustível, manutenção e o seguro”, diz. Na opinião do consultor, como traz a solução mais imediata, o financiamento acaba sendo o caminho mais fácil, mas é preciso cuidado para que os aspectos emocionais não tomem conta das decisões.

“Quando a pessoa compra um carro, está em busca de um sonho, tem a sensação de ‘eu cheguei lá’”, acrescenta. Mais interessante, no entanto, é poupar por um período maior, adiar a compra e financiar o menor valor possível, segundo o consultor.

“É preciso que o consumidor cuide de seu orçamento, pois o agente financeiro não está preocupado com a saúde financeira de quem compra, e o comerciante quer vender”, acrescenta Calil. A sugestão do especialista é que a família faça as contas de qual é a sua renda final após os descontos e os impostos. Feito isso, deve destinar 10% a investimentos. Se algo em torno de 70% forem gastos com despesas essenciais, sobram 20% para os financiamentos. “Com essa regra, a família terá tudo o que quiser. Aos poucos, acaba conseguindo viver com 80% e poupar 20%”, afirma.

Publicado em 08/06/2010
Site IG: www.ig.com.br

Compartilhe este conteúdo

Compromisso com você, em todos os momentos

A Fusesc trabalha todos os dias para garantir sua tranquilidade financeira, com transparência, ética e foco no longo prazo. Conte com uma entidade que cuida do seu futuro com responsabilidade hoje, amanhã e sempre.

Conteúdos relacionados

5 de maio de 2026

Alteração do percentual de contribuição poderá ser solicitada de 01/05 a 31/05

Até 31 de maio, os Participantes têm a oportunidade de ajustar o percentual de contribuição. A alteração será aplicada a partir de julho. Aproveite esse

Publicação

30 de abril de 2026

RAI 2025

Acesse o Relatório Anual 2025.

Publicação

29 de abril de 2026

Fusesc publica Relatório Anual 2025

O Relatório Anual de Informações do exercício de 2025, dos Planos de Benefícios I, Multifuturo I, Multifuturo II está disponível para leitura e download no

Publicação

28 de abril de 2026

Feriado – Dia do Trabalho (01/05)

A Fusesc informa que, em razão do feriado do Dia do Trabalho, não haverá expediente na sexta-feira, 1º de maio. Os empréstimos contratados após a

Publicação

16 de abril de 2026

Feriado de Tiradentes: confira o expediente da Fusesc

A Fusesc informa que no dia 21/04 (terça-feira) não haverá expediente em razão do feriado de Tiradentes. Os empréstimos contratados nos dias 20 e 21/04 serão

Publicação

15 de abril de 2026

Rentabilidade dos planos em março, confira o podcast com a equipe Fusesc

Além das Lâminas de Rentabilidade completas de cada Plano, você também pode conferir mensalmente no nosso podcast Fala Fusesc informações a respeito da rentabilidade dos

Publicação
Conecta